O dia 22 de novembro de 2009 parecia um domingo como os outros 30 deste ano. Acordei, tomei o café da manhã e segui o preparo cotidiano para mais uma prova. A rotina podia ser semelhante, já o desafio era único: 13ª Maratona de Curitiba e seus 42.195 m.
À medida que me aproximava do Centro Cívico já não me conectava mais com o bate-papo dos amigos (Eduardo e Luis), que gentilmente me deram uma carona. Minha mente e meu coração estavam totalmente interligados com o pórtico de largada, que já podia ser visualizado. Tão grande era a ansiedade que não pude esperá-los estacionar o carro para saltar e seguir em busca da tenda da Trainer.
Após localizar a tenda, me deparei com alguns dos meus fiéis amigos que me acompanhariam ao longo do percurso. Preocupados, me procuravam pelos arredores, ao mesmo tempo em que tentavam me distrair com cordiais brincadeiras: e aí, Marcão, achamos que havia amarelado. Pensei: amarelado, eu? De maneira alguma... minha meta é a chegada!
Lá veio o aquecimento, seguido de poucos minutos na tenda para a hidratação e eu estava no ponto de largada para enfrentar o que seria o meu maior desafio.
Os primeiros quilômetros passaram e eu seguia pela Avenida Sete de Setembro com a expectativa de encontrar, na Praça do Japão, a Fernanda e o Pedro, meus maiores cúmplices. Foram apenas 11 quilômetros e, ao vê-los, o meu coração bateu muito forte. Senti a mesma emoção horas depois na chegada.
Na Avenida Arthur Bernardes, o sol apareceu definitivamente para nos acompanhar por horas a fio. O ritmo se mantinha em 5min30s/km e o Solano e o Ilan se revezavam entre pedaladas e quilômetros de corrida. Água, suplemento, carboidratos! Tratamento personalizado e, sem perceber, haviam se passado 21 quilômetros. Visualizei o posto de apoio da Trainer e, de imediato, vi o João, santo João, com água geladinha para me refrescar.
O retorno parecia fácil. Na via rápida, encontrei alguns amigos que me esperavam ao longo do percurso e logo desci a Rua Brasílio Itiberê, onde encontrei o Walder e reencontrei o Eduardo, para receber mais uma pitada de energia e vencer a barreira dos 30 quilômetros.
Entrei na Avenida Marechal Deodoro, rumo ao paredão do Parolin. Posso afirmar que depois de 30 quilômetros qualquer subida parece um paredão. Nesse momento, avistei Dona Irena – um exemplo de superação –, com quem tive o prazer de trocar algumas palavras, e segui rumo ao Teatro Paiol.
Então, comecei a entender o significado da palavra maratona, se trata de uma corrida de estratégia e não de força. No quilômetro 34, dois mamutes “saltaram” dos bueiros e se “agarraram” nos meus joelhos. Você quer completar a maratona? Pois vamos com você – disseram.
Câimbras, dores, um pouco de caminhada, trote e retomada da corrida foi a rotina dos quilômetros seguintes. Desse ponto em diante, o que me moveu para frente foi a certeza de que a minha meta era a chegada, além disso o poder e a força dos amigos que, literalmente, me empurraram para a linha de chegada.
Mais alguns minutos se seguiram, vieram a chuva forte, o viaduto do Capanema, a Visconde de Guarapuava, o Passeio Público e, novamente, a Avenida Cândido de Abreu. Ainda que a vitória parecesse certa, o presente estava por vir. Ao Solano e ao Ilan se juntaram Paulo Salomão, Alceu, os gritos do Glacymar, da Ana, da Telma, dos atletas e do staff da Trainer: vamos Marcão! Vamos, o Pedrão e a Fernanda estão te esperando!
Não tinha como não chegar. Enfim, cruzei a linha de chegada após 4h20min e caminhei alguns metros, espaço suficiente para encontrar o João e desabar em lágrimas para expressar a alegria e descarregar a adrenalina que tomara conta do meu corpo. Cheguei à tenda da Trainer e comemorei a vitória com os meus amigos e com a minha família que, independente do mau tempo, me esperava.
Hoje, posso dizer que, para fazer uma maratona, é preciso disciplina e paciência para superar os treinos, amigos que estejam ao seu lado nas horas mais difíceis, garra para ultrapassar as barreiras e, claro, família para apoiar e para celebrar.
À Trainer, em especial ao Tchê, deixo meu agradecimento; ao Claudio, agradeço pela companhia ao longo das 16 semanas nos treinos longos; ao Eduardo, ao Solano e ao Ilan, minha gratidão pelo apoio antes, durante e após a prova; aos demais amigos, meu muito obrigado! Por fim, à Fernanda e ao Pedro, dedico meu amor incondicional pela paciência e pela cumplicidade!